O casarão era imenso. Imagino que no início era só uma casinha, depois emendaram umas tábuas e mais um cômodo foi acrescentado. E assim, crescendo de cômodo em cômodo ele virou um casarão tão grande que dobrava a esquina. Quando não tinha mais como crescer para os lados -- todo o terreno foi tomado -- começaram a construir no sótão. Pronto, virou um casarão estilo sobrado. Sua madeira nunca viu tinta. A madeira envelhecida era da cor cinza. Janelas pequenas, sempre fechadas. Eu olhava de longe, relativamente longe, e tinha a impressão de que iria cair, mas sabia que não cairia porque se sustentava por si só, feito dois bêbados que se equilibram um segurando no outro. Nele moravam gente estranhas.
Dois anos depois que havíamos mudado para esta cidade os moradores do casarão foram trocados.
Assim ficamos conhecendo a família Severino. Esta família entrou definitivamente em nossas vidas. Os laços de amizade foram tão fortemente entrelaçados que continua através das novas gerações até os dias de hoje.
Vicente Severino e sua mulher Gercina tinham dois filhos: Vilmo e Lúcia.
Vilmo era um jovem de 26 anos. Muito bonito e educado. Era taxista. Todo taxista tinha um apelido, e o seu era Coração. Eu, nos meus 13 anos de pré-adolescente o achava um deus, um presente dos céus para eu poder sonhar os meus sonhos de menina-moça.
Lúcia era uma jovem adolescente de uns 17 ou 18 anos. De aparência delicada, quase frágil, olhos grandes, sempre calada, tímida. Não tinha o hábito de sair a rua. Raramente eu a via. Eu tinha vontade de fazer amizade com ela. Talvez pelo fato de ser mais nova que ela eu ficava imaginando se ficaria bonita como ela quando tivesse a sua idade.
Ao contrário da filha, sua mãe, Dona Gercina era extrovertida, comunicativa. Logo fez amizade com a vizinhança toda. Era tipo mãezona, entrava mesmo. Era a que socorria todo mundo, sempre tinha um chá pra uma dor, um outro pr'aquela outra. Estava sempre presente. Muito prestativa, mas ai de quem não 'rezasse' na sua cartilha!!!! Ela se impunha mesmo, não aceitava ser contrariada. Minha mãe foi 'adotada' por ela. Brigavam, mas se amavam.
Dona Gercina tinha horror a 'nomes feios'. Nomes feios para ela eram palavras como: diabo, demônio, azar, desgraçado... e afins. Quando ouvia um desses nomes ela se benzia e dizia: Pai, Filho e Espírito Santo. E pedia encarecidamente ao 'pecador' que não repetisse mais isso. Era uma mulher corajosa mas tinha um medo medonho de nome feio.
Médico era outro 'palavrão' que ela não queria ouvir nem brincando. Dizia que não confiava em médicos. O ocultismo era muito bem aceito por ela. Acreditava que o espiritismo curava tudo. Quando o seu marido adoeceu, já velho, ela o tratou com chás de ervas e benzimentos.
Quando o meu irmão caçula, Mário Cesar, nasceu, a família Severino foi toda mobilizada. Todos ajudaram. A Dona Gercina sentiu-se avó mais uma vez. Minha mãe queria que o Vilmo e a Lucia fossem os padrinhos dele. Mas o seu desejo foi atropelado por uma outra vizinha que se auto promoveu, juntamente com o seu marido, os padrinhos do menino. Assim, o Vilmo virou padrinho de crisma do Cesar.
sábado, 28 de abril de 2007
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Curves X Exercícios
Hoje, pela primeira vêz na minha vida, entrei em uma academia para fazer exercícios físicos.
Falarei mais sobre isso adiante. Curves.
Falarei mais sobre isso adiante. Curves.
domingo, 15 de abril de 2007
projetos, metas a seguir

O meu grupo virtual fez uma brincadeira de cada uma de nós escrever as nossas metas para o futuro, eis as minhas:
01) Fazer uma viagem turística de navio, tipo cruzeiro;
02) Conhecer todo o nordeste brasileiro, para o sul eu conheço desde o Rio até a Patagônia;
03) Conhecer Portugal, o país inteiro;
04) Poder comer o que eu gosto sem engordar;
05) Morar no verão em um pequeno Aptº no Arpoador pra ver o por-do-sol diariamente da pedra;
06) Morar no inverno em uma pequena casa em Nova Friburgo com um imenso jardim (já tive casa lá);
07) Fazer mais artesanato;
08) Ficar hospedada uma semana no Nannai Beach Resort (fresca eu);
09) Ler todos os livros que comprei e que estão empilhados me olhando e cobrando;
10) Ver todos os DVDs que comprei, ganhei e ainda não vi;
11) Fazer uma outra viagem com a minha mãe, já fizemos uma só nós duas;
12) Fechar um Hotel Fazenda só para reunir todos os meus amigos por, no mínimo, uma semana;
13) Ter um dia a cada semana só meu, pra fazer o que quiser, tentei mas ainda não consegui;
14) Que quando os meus netos nascerem o mundo esteja melhor (esse é um desejo primordial e, talvez, utópico);
15) Escrever a minha história, nem que seja só para eu ler;
16) Que a minha gata Isolda fique curada;
17) Que a nossa polícia consiga separar o joio do trigo e só fiquem os bons para que não tenhamos medo dela;
18) Que os políticos sumam do mapa. Sem deputados, senadores, vereados e outros parasitas;
19) Que as leis sejam votadas por cidadãos comuns, anulando assim os "personagens" do item 18;
20) Frequentar semanalmente um grupo de estudos específicos, pode até ser cultura inútil, desde que seja off rotina
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Rio quente, Brasil torrando
O Rio de Janeiro está quente. Quente em todos os sentidos. Voltar pra casa depois do trabalho é sempre uma benção. Difícil é durante esse trajeto ouvir no rádio a notícia de que a PF prendeu não-sei-quantos da máfia dos jogos ilegais e, dentre os quantos tinha delegado da PF, desembargador, advogado, contraventor, empresario, servidor público... o dinheiro é tanto que uma tarde inteira não foi suficiente pra vários policiais contarem o montante.
Estamos sem dinheiro, o comércio tá que é uma inércia só. Mas alguém está com muiiiito dinheiro.
Nojo!
Estamos sem dinheiro, o comércio tá que é uma inércia só. Mas alguém está com muiiiito dinheiro.
Nojo!
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Feriado da Páscoa
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Ainda as férias

Acho que as férias foram poucas. Seria ideal algo em torno de 60 dias.
Não terminei de ler o livro que estava lendo. Li um pouco dele, mas li bastante publicações aqui e ali. Portanto, não me ative em um só assunto, ou uma só leitura.
Comi os camarões que me propus comer.
************************
Aconteceu um lance engraçado: no segundo dia que estávamos na praia de Ponta Negra -a mais plebe de todas as praias de Natal- onde estávamos hospedados, fomos abordados por um rapaz que fazia contato com pessoas previamente selecionadas por ele, que, na sua ótica, seriam pessoas abastadas (isso ele não falou, nós percebemos. Em relação a nós foi ledo engano seu), bom, depois de se apresentar como auxiliar de consultoria, ou algo assim, ele nos convidou para assistirmos uma palestra naquela noite no Hotel Pestana.
Fazia parte do convite um jantar para dois. Importantíssimo confirmar o comparecimento, caso contrário ele poderia ser prejudicado, pois estava nos indicando. - Ok. Ok. nós iremos. Mesmo assim, horas depois, recebi no celular um chamado para confirmação do comparecimento ao evento. Fomos, lá chegando, hotel 5 estrelas lindíssimo.
Praia particular, o que, diga-se de passagem, achei um absurdo. Detesto isso de hotel ter praia particular. Isso não existe, é blefe. Mas está lá, cercada de piscinas e cerquinhas vivas impedindo entrada de pessoas que não sejam hóspedes. Bom, chegando lá fomos bastante bem recepcionados, acomodados. Logo depois uma consultora muito simpática, bonita e educada nos recebeu, nos conduziu até uma mesa em uma enorme sala, nos convidou a sentar e começou a palestra.
PALESTRA!!?? Não, aquilo não era uma palestra, era mais uma entrevista com uma consultora muito bem treinada.. bonita.. educada e etc e tal. Já de início, alem do jantar, nos ofereceu um final de semana (3 dias e 2 noites) em um Hotel Pestana a escolher aqui no Brasil.
A-ha... acreditando que nada é de graça, como se diz: o jantar sempre é pago, ou antes, ou durante, ou depois, mas nunca é de graça, esperamos pra ver no que ia dar tanta gentileza.
De uma coisa tínhamos certeza; eles pensavam que éramos ricos e nós sabíamos que não éramos.
Bom, eles queriam nos vender um plano-pacote-ou-sei-lá-que-nome-tem espetacular, irrecusável e carésimo.
Ela não conseguiu nos convencer a aderir ao tal plano. Chamou um colega, nervosinho esse. Piorou, caímos fora. Mas aceitamos o jantar, afinal esse foi o motivo pra comparecermos a tal palestra que virou consultoria. O jantar era Uma Noite Nordestina, coisa que eu não estava a fim de perder de jeito algum. Depois do jantar teve espetáculo de maculelê e capoeira. Acima, na foto, detalhe da mesa.
As aparências enganam. Não é possível que tenhamos passado essa imagem de gente com grana. Seria a aparência européia do Antonio?
Trouxemos conosco o vaucher para a hospedagem brinde. Porém, naquela mesma noite decidimos não aceitar o convite. Ele ficará no fundo de uma gaveta qualquer, não será usado. Não faz parte do nosso mundo.
As férias foram ótimas

Estava tão angustiada, tão cansada que acreditava que não descansaria nem mesmo estando em Natal/RN, lugar lindo, praias tranquilas, povo idem.
Mas, incrível. Consegui.
Já no segundo dia estava mais tranquila.
No terceiro rolou caipirinha. A descontração foi gradativa.
Não encontrei exatamente uma piscina natural - embora em Natal seja o que mais há - preferi a praia e a piscina do hotel na volta.
Assinar:
Postagens (Atom)