sexta-feira, 23 de abril de 2010

Fonte da Saudade




A verdadeira Fonte da Saudade existia. Digo existia porque ontem li no jornal (Gente Boa), com tristeza, que ela foi demolida. Eu conhecia a sua história, achava tão romântica... Ela ficava na Rua Fonte da Saudade, 111. Construiram o prédio no entorno dela e a preservaram.

Agora leiam o motivo de sua destruição e chorem comigo.

A nota:
Este monumento carioca, a fonte que marca a origem do bairro Fonte da Saudade, foi destruído dias atrás. Era nela, segundo o historiador Milton Teixeira, que as lavadeiras portuguesas lavacam as roupas dos nobres de Botafogo, cantando fados de saudade à terrinha. O síndico do prédio onde estava o marco precisava fazer unas reformas no condomínio. Mandou quebrar.

Curiosidades Cariocas: Fonte da Saudade

Curiosidades Cariocas: Fonte da Saudade

terça-feira, 13 de abril de 2010

Enchente no Rio



O bicho aqui foi feio. Não temos terremotos mas tivemos um belo dilúvio. E ainda não estamos seguros. Muitas casas estão caindo porque a terra está muito encharcada de água. O Rio de Janeiro e Niteroi são um acidente geográfico, suas encostas, mesmo as não ocupadas, não estão conseguindo suportar muito. Daqui da minha janela dá pra ver uma clareira na mata que divide a zona sul da zona norte.... (Mata Atlântica, onde fica o Corcovado), e aquilo ali cedeu por si só. Alí não é espaço de habitação, pelo contrário, é área de preservação, mata virgem, e mesmo assim caiu derrubando muitas árvores. Um pedaço gigantesco. Falam em 200 pessoa ainda desaparecidas em Niteroi e outro tanto mortas nos dois municípios, Niteroi e Rio.

Ainda estou traumatizada. Nunca vi tanta chuva em tão pouco tempo, e o pior, eu estava nela. Saí atrasada da loja lá pelas 17:30 da tarde, foi o horário que começou a chover, normalmente levo 20 minutos pra chegar em casa. Cheguei as 20:45 depois de enfrentar dois alagamentos onde o meu carro teve que ser muito macho pra não deixar o motor morrer. Fiquei meio que entre o medo e o pânico. Via a água subir, então sabia que o rio, pelo qual passo todos os dias, estava transbordando. Sabia tambem que aquele dilúvio poderia matar muitas pessoas, que essas pessoas poderiam estar morrendo soterradas ou levadas pela correnteza das águas.

É uma coisa muito aflitante. Muitos carros parados juntos comigo, não se ouvia barulho algum, somente o das águas. Ninguem falava nada, ninguem usava a buzina... acredito que todos estavam com medo. Consegui ligar para os meus filhos e marido. Os meus filhos ainda estava no trabalho, mais tarde vieram pra casa de Metrô, da estação até em casa foi só o banho de chuva mesmo. Felizmente chegaram bem. Quanto a mim, não saía do mesmo lugar. O Celular ficou sem serviço.... Bom, passou. Mas no dia seguinte eu não conseguia olhar a rua, cerrei as janelas e cortinas e evitava ver a TV. Pra me ausentar disso fui colocar fotos da viagem, sei que foi fuga, mas tenho os meus traumas com enchentes. Ainda na quarta feira não saí de casa. Somente na quinta fui trabalhar.
A primeira foto foi feita assim que parei o carro na enchente, a segunda foi dias depois, o céu azul como se nunca houvesse chovido e muito menos causado tantos transtornos e dor.