19.02.2006
8 anos de idade, o dia estava muito quente, as chuvas viriam. Minhas plantinhas que eu cultivava estavam bem em cima da pedra mais alta. Lindas Begônias e outras como Dinheiro em Penca e muitas mais. Quando começou a chover de não mais parar eu não queria acreditar de jeito nenhum. Pedia a minha mãe pra pegar as plantas, para ela pedir ao seu empregado. Ela me disse que seria impossível; era muita água, correnteza muito forte.
Assim, eu via, desolada, uma a uma as minhas plantinhas irem embora. Meu desespero era enorme, choro convulsivo.
Eu era uma menina solitária, sem amiguinhas por perto, as plantas e minhas bonecas feitas com folhinhas eram as minhas companheiras. Não soube lidar com essa perda.
Nunca mais eu soube cultivar plantas. Houve uma tentativa, sim. Isso muitos anos depois quando eu morei em Brasília. Lá, devido ao clima do serrado ou sei lá o quê, as plantas ficavam viçosas. Mas, foi por pouco tempo. Logo tive que voltar ao Rio e nunca mais consegui ter uma plantinha decente. Não que não tivesse tentado.
Havia uma pedra achatada bem na beira do ribeirão, por cima uma árvore com uma bela copa. Ali era um dos meus refúgios. Era onde eu passava as tardes com as minhas bonecas de folhinhas, minhas amiguinhas imaginárias.
Foi sentada nesta pedra que eu li o meu primeiro livro “O Conde de Monte Cristo”, era um livro do meu primo. Ele havia brigado com o pai dele e ficou uns tempos hospedado lá em casa. Isso sempre acontecia, ele brigava em casa dele e ia lá pra nossa casa. Depois que li este livro peguei um outro dele, mas lembro que esse novo era bem violento e me deixou com medo, meio horrorizada com a história de morte e violência.
segunda-feira, 12 de março de 2007
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